07/11/07

...poesia de amor(es)

Gosto das mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caídos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterrâneo
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.

Nuno Júdice

1 comentário:

TINTA PERMANENTE disse...

É impressão minha, mas acho que este é um poema para ser lido ao som de um tango!...

abraço

passearam no meu país...

Raríssimas...sabe o que é?

A minha "mais Kika"

A minha "mais Kika"

Dizer Não!!!

om

Alguns minutos de Boa Música

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