19/08/07

do Sentido da Vida (6)

As palavras do amor expiram como os versos,
Com que adoço a amargura e embalo o pensamento:
Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,
Vidas que não têm vida, existências que invento;

Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos
De pó, que o sopro espalha ao torvelim do vento,
Raios de sol, no oceano entre as águas imersos
-As palavras da fé vivem num só momento...

Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,
O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,
E as do aleive, em baldões, e as da mofa, em risadas,

Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:
Ficam no coração, numa inércia assassina,
Imóveis e imortais, como pedras geladas.


Olavo Bilac

1 comentário:

TINTA PERMANENTE disse...

Quem disse que o soneto é uma forma esquecida de Poesia?!...
Abraço.

passearam no meu país...

Raríssimas...sabe o que é?

Arquivo da ervilheira

A minha "mais Kika"

A minha "mais Kika"

Dizer Não!!!

om

Alguns minutos de Boa Música

Loading...

www.endviolenceagainstwomen.org.uk