28/09/07

...dos Sentimentos e da (geo) Poesia.


Ela disse: Sou uma cidade esquecida.
Ele disse: Sou um rio.

Ficaram em silêncio à janela
cada um à sua janela
olhando a sua cidade, o seu rio.

Ela disse: Não sou exactamente uma cidade.
Uma cidade é diferente de uma cidade
esquecida.

Ele disse: Sou um rio exacto.

Agora na varanda
cada um na sua varanda
pedindo: Um pouco de ar entre nós.

Ela disse: Escrevo palavras nos muros que pensam em ti.
Ele disse: Eu corro.

De telefone preso entre o rosto e o ombro
para que ao menos se libertassem as mãos
cada um com as suas mãos libertas.
Ela temeu o adeus, disse: Sou uma cidade esquecida.
Ele riu.

Filipa Leal in a "A Cidade Líquida e outras texturas"

1 comentário:

Eliana Mara disse...

Maria,

gosto do blog, te encontrei num comentário do Troblogdita (respondi a tua pergunta lá!) e como faço para ser convidada?
Bjs

passearam no meu país...

Raríssimas...sabe o que é?

A minha "mais Kika"

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